Estremoz - Pelourinhos do Concelho de Estremoz
Pelourinhos do Concelho de Estremoz
Pelourinhos – Origem e caraterização
Dar uma resposta assertiva sobre a origem dos pelourinhos não é fácil, para alguns estudiosos é uma imitação do que se fazia em França e introduzida em Portugal nos primórdios da monarquia. O pelourinho francês advém da antiga coluna Moénia (colona erguida, por um homem de nome Menia, junto a sua casa, sobre a qual mandava instalar um estrado de madeira para assistir aos espetáculos públicos, mais tarde, (como se encontrava num espaço público foi aproveitada pelos juízes para expor criminosos) introduzida por Roma após a conquista da Gália.
Foi no final da idade média que os pelourinhos se implantaram em Portugal, os castigos eram aplicados junto a estruturas mais simples, como o tronco (ALMEIDA e BARROCA, 2002: 150). É possível que o pelourinho tenha sucedido a uma estrutura parecida a “picota”.
Os pelourinhos estão ligados à criação dos concelhos. A atribuição de foral a comunidade pelo rei seguia-se a construção e levantamento de um pelourinho como símbolo do seu poder jurídico e da sua independência em relação a outro povoado ou a outro senhor (Bispos, cabidos, mosteiros e senhores podiam erguer pelourinhos).
Materiais de construção – Dependia do poder financeiro da câmara, dos materiais existentes na zona (calcário, granito, xisto, uma árvore de bom porte ou mármore) e do nível artístico do pedreiro a que se entregava a obra.
Funções
Função penal – Até ao fim da monarquia serviu para a execução de castigos corporais, muito raramente de patíbulo. O seu maior objetivo era moralizar e intimidar a população pelo terror e humilhação.
Função jurisdicional – Com a chegado do liberalismo e a extinção de vários concelhos os pelourinhos dos concelhos extintos perdem as suas funções deixando para uns um certo saudosismo dos tempos passados, para outros a lembrança de tempos muito rígidos.
Função publicitária – O liberalismo alterou o sistema de publicidade da lei, a nova forma de esta ser transmitida passou para a imprensa.
Função simbólica – com a sua perda de funcionalidade desapareceu o seu valor simbólico, passando a ser um símbolo de carácter negativo, pelo que muitos de eles tenham sido destruídos ou desmontados (1834).
Características
Estrutura: Compostos por um plinto (base), uma coluna (fuste) e um capitel, muitas vezes com remates artísticos como esferas, pinhas ou gaiolas de ferro.
Localização: Posicionados em frente às antigas Casas da Câmara, representando o poder local.
Evolução: Inicialmente designados de "picotas", assumiram funções de marca de foral e símbolo de liberdade municipal.
Estilos: Apresentam frequentemente influências românicas, góticas ou manuelinas, com muitos exemplares classificados como monumentos nacionais ou de interesse público.
Pelourinho de Estremoz

Enquadramento - Urbano
Arquitetura – Política, administrativa e judicial.
Material de construção - Cantaria de mármore branco de Estremoz
Soco – Octogonal de três degraus.

Base neomanuelina oitavada de molduras simples e encordoadas.

Fuste torso dividido por anel central.

Anel de torcidos enfeitados com esferas.

Capitel manuelino de duas molduras torcidas a inferior convexa e a superior côncava festão de folhas entre as duas, remate cónico e torso, acompanhando a torção do fuste, encimado por borlas e esfera armilar.
Cronologia - 1512, 01 junho - foral novo de D. Manuel e provável data de construção de um Pelourinho. Em. 1698 - Após explosão do paiol (referenciado na cidade por paiol da pólvora) que se encontrava instalado nos Paços de D. Dinis, no castelo, o Pelourinho é removido da frente daquele edifício e instalado no terreiro de Santo André, junto dos novos Paços Municipais. Tendo aí permanecido atá meados do século XVIII. O remate, inicial, poderá ter sido, na altura da sua remoção, alterado para um com cruz e coroa real em ferro. No Século XIX foi mandado desmontar pela Câmara Municipal, foi reconstruido em 1916 com os elementos que ainda existiam (fuste, coruchéu e remate), obra orientada por Luís Chaves com o desenho de Saavedra Machado.
Pelourinho de Evoramonte

Situado em frente aos antigos Paços do Concelho (Rua da Constituição), deste subsiste apenas o plinto paralelipípedico de mármore de cunhas simples.
Olhando para a base onde a coluna assentava, verifica-se que esta possui visíveis vestígios de ter sido partida. Talvez tenha sido desmantelado no século XIX, a seguir à instauração do Constitucionalismo, o que ocorreu por todo o país, os pelourinhos eram considerados como um marco da opressão do antigo regime, derrubado com o custo de muitas vidas, na região e por todo o território português (A Guerra Civil em Portugal - A Luta Sangrenta entre Liberais e Absolutistas; de Rui Rosado Vieira)
Mostra sinais de ter sido realizado no século XVI, altura em que D. Manuel I(r. 1495-1521) concedeu os Forais de Leitura Nova, o que levou ao levantamento de grande número de Pelourinhos por todo o país.
Pelourinho do Canal
(Serra de D' Ossa)

De construção muito simples, base octogonal, coluna cilíndrica, realizada toda ela de um só bloco encimada por uma esfera lisa e cruz de ferro.
Segundo Túlio Espanca apresenta características de inícios do século XVI.

Características Principais:
Estilo: Quinhentista, com elementos renascentistas.
Estrutura: Base de planta octogonal, fuste cilíndrico e monolítico (de um só bloco), e uma esfera lisa no topo.
Remate: Apresenta uma cruz de ferro e elementos decorativos como uma grimpagem (zona que permitiria a uma lâmina girar e indicar a direção do vento?).
Contexto: Sinal da autonomia que a localidade do Canal, hoje parte de Estremoz, já teve.
Segundo a lenda a Vila de Cano foi fundada por moradores da localidade do Canal que fugiram da brutalidade do juiz do povoado.
Pelourinho de Veiros

Monumento renascentista, construído em 1539 no reinado de D. João III, localizado na Praça Marquês da Praia e Monforte.

Base com três degraus, dois quadrangulares e um octogonal, fuste quadrangular assente em uma pequena base piramidal quadrangular em construído num só bloco.
Capitel clássico, enfeitado com anjos, encimado por esfera armilar, com um pequeno plinto como remate.

O fuste apresenta sinais de ter tido algum tipo de suporte em ferro.
Onde seriam expostos elementos corporais amputados e ou presos os “criminosos” quando condenados a exposição pública.
Características Principais:
Estilo - Arquitetura jurisdicional renascentista.
Base com três degraus, dois quadrangulares e um octogonal, fuste quadrangular assente em uma pequena base piramidal quadrangular em construído num só bloco.
Capitel clássico, enfeitado com anjos, encimado por esfera armilar, com um pequeno plinto como remate.
Material - Construído em mármore de Estremoz.
Importância - Símbolo da antiga autonomia de Veiros, que foi concelho até 1855, hoje é um marco histórico e cultural.
Transferência - Pensa-se que possa ter sido mudado para a atual localização em 1739, data inscrita no pilastro.
Rosa, António Amaro - O Pelourinho Português
Vieira, Rui Rosado - A Guerra Civil em Portugal - A Luta Sangrenta entre Liberais e Absolutistas
Câmara Municipal de Estremoz
Fotos - Do Autor
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Estremoz - Chaminés de Mourão
Chaminés de Mourão
Chaminés de Fuga Cilíndrica
(Assim denominadas por Túlio Espanca)
As Chaminés típicas de Mourão, "ditas mouriscas", são apenas assim denominadas pela tradição, pois não existe fonte histórica que o confirme, permitem apresentar uma arquitetura urbana bastante interessante e diferenciada das povoações vizinhas.
Tenham ou não origem mourisca o certo é que a paisagem urbana de Mourão é valorizada por este tipo de chaminé cilíndrica, podendo, estas, atingir três metros de altura e um metro de diâmetro.
Pelas dimensões era aferida a posição social e o estatuto dos seus proprietários.
Este tipo de chaminé não é frequente no Alto Alentejo, onde a maioria delas tem forma paralelipipédica de base rectangular.
O "Livro das Fortalezas" de Duarte de Armas, século XVI, nos esboços n.º 13 e 14, que representam a Vila de Mourão, não mostram quaisquer tipo de chaminé, acabando assim por não se poder aferir da sua existência já nesse século. É de referir que nos restantes esboços, de outras vilas, feitos pelo debuxador, e que fazem parte do livro acima referido, não são apresentadas chaminés algumas.

Fragmento do esboço n.º 13, referente a Mourão.
CHAMINÉS


![DSC_0290[1].JPG](https://fotos.web.sapo.io/i/Bed063bd4/22842379_4pjH5.jpeg)

![DSC_0294[1].JPG](https://fotos.web.sapo.io/i/B6506f2dc/22842387_hKmuN.jpeg)
![DSC_0291[1].JPG](https://fotos.web.sapo.io/i/B720656bb/22842389_gy9Ck.jpeg)
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Estremoz - Estelas Funerárias de Évoramonte
Estelas Funerárias de Évoramonte
As estelas funerárias são importantes fontes de informação sobre as crenças religiosas, as atividades laborais e do dia a dia de sociedades ou civilizações antigas. São placas de vários materiais, tais como pedra ou madeira, com inscrições em relevo, colocadas em posição vertical em túmulos como forma de homenagem aos defuntos.
As que foram encontradas no Castelo de Évoramonte, Concelho de Estremoz, serviram como marcadores de sepulturas medievais, exibindo motivos simbólicos, na sua maioria cruzes, que associam o local aos Cavaleiros Templários, mas, destacam-se várias com relevos que nos direcionam para atividades profissionais, tais como alfaiates ou ferreiros (ferradores?).
Características:
Idade média – Estelas discoides.
Material utilizado - Granito da região.
Localização – Castelo de Évoramonte – Estremoz



Alfaiate?


Alfaiate?

Estrela de David

Ferreiro?




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Estremoz - O Mármore na Arquitetura de Estremoz V
Paços de Audiência de D. Dinis
Neste monumento podemos encontrar mais algumas marcas de pedreiro, de tamanho algo menor, algumas idênticas às que se encontram na Torre de Menagem, pelo que podemos considerar que alguns pedreiros ou oficina desenvolveram trabalho em ambos os monumentos.


















No largo do castelo, no lateral direito da Igreja de Santa Maria, encontram-se os Paços da Audiência de D. Dinis, abertos por galilé de cinco tramos, inicialmente a galeria apresentava-se coberta por um tecto de madeira, sendo este substituído por uma abóbada de cruzaria de ogivas no reinado de D. Manuel I. Ao centro, um portal em ogiva que nos condicionar para uma moldura com as divisas de D. Afonso IV (a quem se atribui a conclusão do conjunto) permite-nos a entrada na sala de audiências, coberta por abóbada manuelina de formato octogonal.
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Estremoz - O Mármore na Arquitetura de Estremoz IV
Igreja de Santa Maria

O canto exterior direito deste templo, tanto no frontal como na lateral direita, encontra-se profusamente esgrafitado, como as imagens seguintes demonstram.









Três letras indicando o nome de Cristo
As obras desta igreja terão começado no ano de 1560, financiadas pelo Arcebispo de Évora Cardeal Infante D. Henrique, futuro Rei de Portugal (1578/ 1580) e de El-rei D. Sebastião (1557/1578), só no princípio do séc. XVII o imóvel ficou completo. Teve como mestre-de-obras e empreiteiro Pero Gomes (1559/1562), até ao momento desconhece-se a existência de documentos referentes a outros construtores intervenientes. No entanto, a sua existência está documentada, numa cantiga escrita por Afonso X (esta refere que existia uma igreja no mesmo local, construída ao estilo românico, possivelmente ligada por arcos à Torre de Menagem do Castelo, e alegado milagre com a intervenção de Santa Maria), desde a segunda metade do século XIII.

Foi construída ao estilo maneirista, a fachada engloba dois estilos, o estilo chão, estilo português do séc. XVII, austero e de formas sóbrias e elementos do Maneirismo, a sua simetria é baseada em formas geométricas perfeitas.
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Estremoz - O Mármore na Arquitetura de Estremoz III
Marcas de Pedreiro
São símbolos únicos inscritos na pedra, utilizados para identificação do trabalho de um determinado pedreiro ou da sua oficina. Marcas essas muito importantes para controlar a qualidade e para o pagamento do trabalho realizado em grandes construções, pois existiriam vários pedreiros (canteiros) a trabalhar na mesma obra. As inscrições eram geralmente feitas com ferramentas de corte, como cinzéis e martelos, diretamente na pedra, são normalmente de forma simples.
Todos os apresentados se podem ver na Torre de Menagem do Castelo de Estremoz, alguns já de forma muito difícil devido ao calcário acumulado.

![DSC_0180[1].JPG](https://fotos.web.sapo.io/i/B84182c05/22806177_5vFEG.jpeg)




















Torre de Menagem

É uma das que se encontram melhor conservadas do país. Tem perto de vinte sete metros de altura, tem planta quadrangular sendo coroada com merlões em forma de pirâmide. Torre típica da arquitetura militar portuguesa de finais do século XIII e inícios do século XIV, fazia parte da antiga alcáçova. No seu interior encontram-se três salas abobadadas. Existe, no segundo andar uma sala octogonal com colunas de capitéis de motivos animalistas e antropomórficos.
Na varanda encontram-se as chamadas Três Coroas, que, segundo alguns autores, representam os três reinados ao longo dos quais decorreu a sua construção (D. Afonso III – 1248/1279, D. Dinis – 1279/1383, D. Afonso IV – 1325/1357).
As três coroas

Armas de D. Afonso III (r. 1245/1279) protegidas por dois anjos.
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Estremoz - Cidade limpa
Sábado - 19/07/2025 - 08h 30m/09h


Mais uma vez os munícipes a custearem a limpeza de ervas.
21/07/2025
Ao sair de um supermercado de Estremoz observei, uma cena que se poderá considerar ternurenta, um jovem casal e uma criança, sentados na relva, tomando o pequeno-almoço, junto aos mesmos encontrava-se um carrinho, de recolha de lixo, pertencente à Câmara Municipal ou à Junta de Freguesia. Até aqui tudo bem, no entanto, as embalagens dos produtos consumidos em vez de serem colocados no referido carrinho eram simplesmente atirados para a relva.
Ninguém controla os trabalhos de limpeza?
Sim, aquele espaço é privado, mas…
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Estremoz - AZULEJARIA DO CONVENTO DOS CONGREGADOS
AZULEJARIA DO CONVENTO DOS CONGREGADOS
A fundação do Oratório de Estremoz, por volta do ano de 1695, deve-se ao arcebispo de Évora D. Frei Luís Teles da Silva (1), que para o efeito adquiriu ao Duque do Cadaval, D. Nuno Álvares Pereira de Melo (2), o palácio que D. Constantino de Bragança (3) havia edificado no Rossio (Século XVI), e confiscado pela coroa em 1640, com frente para o corpo lateral do mosteiro de S. Francisco.
A 2 de Agosto de 1697 chegaram os primeiros religiosos, a 16 de dezembro foi lançada a 1ª pedra e a 1ª Missa foi celebrada a 8 de dezembro de 1698.
Edifício inicialmente construído como residência ao estilo renascentista (4) foi mais tarde adaptado às necessidades religiosas da congregação, as primeiras obras terão começado entre 1698/1700, entrando já no estilo barroco (5), nem nesta primeira fase nem na segunda fase a Igreja foi concluída, vindo a ser terminada no século XX (Início 1961, inauguração 1995). Segundo alguns autores a traça da Igreja dos Congregados viria a servir de modelo para a igreja do Convento de Mafra e da Basílica da Estrela.
Azulejaria
Os conjuntos azulejares da Portaria-Mor e da Escadaria são dos mais interessantes. O conjunto da Escadaria mostra-nos o vestuário das diferentes classes sociais no tempo de D. João V (r. 1707-1750), retrata ainda cenas de caça e guerra. O conjunto da sala do Antecoro mostra episódios dos Evangelhos e da vida de vários santos. Estes painéis foram pintados por volta de 1748 e atribuídos à oficina do pintor António de Oliveira Bernardes.
António de Oliveira Bernardes
(1662/1732)
Natural de Beja, onde foi batizado a 10 de dezembro de 1662, era filho do pintor Pedro Figueira e de Isabel Rodrigues. Na década de 1670 transferiu-se para Lisboa. A sua aprendizagem terá sido realizada no âmbito familiar e na oficina do pintor Marcos da Cruz, falecido em 1683. Trabalhou na oficina do pintor decorador da corte, Francisco Ferreira de Araújo, com cuja filha casou em 1694. Entrou para a irmandade de S. Lucas em 1683 e foi juiz desta instituição em 1694.
Pintor de têmpera e a óleo, o que influenciou a sua inspiração e a sua forma de expressão, o estilo de pintura é essencialmente barroco, na representação dos volumes mostra-se um conhecedor profundo das formas no espaço, as colorações a azul sobre branco são obtidos pela técnica de degradé e do claro escuro, ficou sobretudo conhecido como pintor de azulejos. A sua oficina, situada no bairro das Olarias, a Santa Catarina, em Lisboa, foi a mais importante escola de pintores de azulejos da sua época. São conhecidas duas assinaturas diferentes, uma utilizada na pintura a óleo e outra para os painéis de azulejos.

Esta assinatura firma um quadro presente na Igreja de S. Domingos de Benfica, em Lisboa.

Assinatura de António de Oliveira Bernardes na Capela de N. Senhora dos Remédios, em Peniche.
Irmandade de S. Lucas
Irmandade (confraria) - Grupo de pessoas que se associa em torno de interesses ou objetivos comuns, seja o mesmo ofício, a mesma profissão, modo de vida, religiosos ou espirituais, a assistência mútua dos associados e a defesa dos interesses comuns, a assistência em caso de pobreza, doença e velhice, bem como o sepultamento e sufrágio das almas dos confrades.
O termo surgiu na idade média.
São Lucas foi o escolhido pelos artistas plásticos (pintores) como o seu patrono.
Painéis da Portaria – mor
Entrada
(Atribuídos a Policarpo de Oliveira Bernardes [4])
Espaço com silhar de azulejos superiormente recortados, em tons de azul sobre branco, representando, talvez, episódios alusivos à vida de São Filipe de Néri. Nos extremos de cada painel mostram adornos simulando estruturas arquitetónicas. Em cada um dos lados vêm-se pilastras recortadas, decoradas com festões e volutas, assentes sobre socos de volutas, desenhadas em perspetiva, criando a ilusão de profundidade, encimadas por urnas decoradas por flores.
Lateral esquerdo

Ao centro, na base, apresenta um medalhão formado por concheados, pouco visível na foto, onde são visíveis dois querubins tocando trombetas. Na parte superior, o frontão apresenta medalhão central formado por cartelas envolutadas, ramagens e concheados. Ladeiam-no dois querubins que colocam uma coroa de flores num busto disposto sobre um plinto. Ao centro, em primeiro plano, dois caminhantes conversando, um apresenta sobre a cabeça símbolo de santo (nimbo), mais ao fundo, à esquerda, dois homens ajudam um outro a sair debaixo de um cavalo (queda de S. Paulo?). Em terceiro plano casa dispersas.

Lateral direito

No primeiro plano vê-se uma figura com auréola sendo tentado por dois demónios, perto de uma torre circular com ameias, arruinada. Ao centro da composição, ao fundo, encontra-se uma cidade. À esquerda, em segundo plano, vemos ainda um eremita dormindo no interior de uma gruta.

Átrio de Entrada
Em primeiro plano, observa-se um grupo de cónegos conversando próximo de uma torre de forma circular, um deles (assinalado como santo) aponta para um demónio alado, não muito perceptível na foto, sentado sobre umas ruínas que se encontram à esquerda na composição. A composição apresenta-nos como fundo, lagos, casas, árvores, na linha do horizonte, montanhas.

Interessante a representação deste painel onde figura um batistério circular, com três andares, de arcadas redondas, românicas, típico da Toscana.
No painel abaixo podemos observar o interior de uma habitação. Na zona central, um cónego com nimbo de Santo, possivelmente o próprio São Filipe Néri, com uma bolsa na mão, entregando esmolas a alguns pobres reunidos à entrada do edifício. À direita dois homens entregam vários livros a um homem. Ao fundo podemos ver diversos edifícios à beira de um rio e montanhas.

O painel seguinte apresenta-nos duas cenas. Na cena da esquerda, dois homens deslocam-se sobre uma ponte que atravessa um rio, em direção a uma cidade, na outra margem. À direita em primeiro plano um anjo toca na cabeça de um cónego ressuscitando-o. Ao fundo, um cónego entrega roupa a um pobre à porta de uma igreja. O frontão teve de ser cortado para que o painel se adaptasse à presença de uma janela de boas dimensões.


De grande efeito artístico, os cartões, simples ou de cenas duplas, apresentam nítida influência italiana.
As caras das figuras, em especial os olhos, estão danificadas, ato atribuído popularmente às baionetas dos soldados franceses comandados por Loisan, na 1ª invasão francesa de 1808.
Atualmente já se encontram restaurados, trabalho executado pela empresa “Conservação ao Quadrado Lda.” (produção@conservação2.com).
É pena que este espaço se encontre praticamente às escuras e com mobiliário encostado aos painéis, não permitindo a sua visualização e concorrendo para que se venham a degradar novamente.
Átrio de acesso às escadas e ao claustro

Painel perfeitamente adaptado ao espaço, nos extremos apresenta elementos arquitetónicos, onde se destacam dois mascarões. Na base cartela com enrolamentos. No topo, mascarão central envolto em enrolamentos e dois pequenos festões.
À esquerda, um grupo de soldados descontrai conversando entre eles, as figuras em segundo plano à direita festejam e brindam. Ao fundo vêm-se barcos com figuras passeando e contornos de edifícios, mais ao longe.
Escadaria
Zona de aparato – cenas de caça e militares
Pintura em tons de azul sobre branco, todo o revestimento é recortado na sua parte superior, representando, entre outras, cenas de caça. O rodapé é contínuo com motivos geométricos, decorado com elementos vegetalistas simples, é idêntico em toda a área. As secções figurativas são delimitadas por molduras de simulando motivos arquitetónicos. As suas dimensões alteram-se conforme o espaço a revestir assim o necessite, podem ser lanços de escada ou os patamares. Em duas secções figurativas as molduras são contínuas. Nas zonas de ligação vê-se apenas uma das pilastras das molduras. As secções aplicadas nos lanços das escadas mostram um frontão de moldura, encimado por vaso de flores sobre motivo concheado e duas palmas cruzadas. Nas secções do penúltimo lanço, a segunda pilastra é substituída pela figura de um atlante.
No patim da escadaria, lado esquerdo observa-se um grupo de pessoas conversando, no lado direito podemos ver uma cena de confronto, guerra (Não possuo imagens).
Estamos perante duas amostras do espírito do ser humano, a sociabilidade a empatia e o instinto bélico.
No primeiro lance da escadaria, em ambos os lados, podemos observar cenas de caça ao javali e ao veado.


No segundo patim, por baixo da janela da esquerda temos uma cena de pesca, na da direita uma cena pastoril (Das quais não tenho imagens).
No patamar intermedio, ricamente decorado, continuam a ser representadas cenas de caça, pesca, atividades humanas e militares.






Caçada – Perseguição de um touro em campo aberto.

Cena Militar
Figura central – Rapaz do tambor, castelo como fundo.
Emolduramento bastante rico, autêntica boca de cena.
Átrio Superior
Apresenta um revestimento a azul sobre branco, recortado na sua parte superior, mostra-nos um grupo de diferentes cenas, emolduradas por elementos pintados similares a motivos arquitetónicos. Cartelas superiores com dizeres em latim sobre cada uma das representações.

Casal com símbolo de santo (aureola) caminhando. Em segundo plano, à direita, podemos ver a representação de uma cidade com um porto e alguns barcos.

Casal com símbolo de santo conversando sob uma árvore.

Uma mulher dirige-se a uma porta de acesso a um jardim, na qual se vê um homem, outras duas, sentadas, conversam. Ao fundo, à esquerda, vê-se uma cidade.

Junto a uma fonte, três homens escutam Cristo. Em fundo, um rio no qual se vêm três homens num barco.

Em primeiro plano uma mulher sentada chora olhando para um caixão? À direita vê-se uma cidade.

À esquerda uma mulher ajoelhada, ao centro uma cidade amuralhada e soldados marchando, à direita várias tendas, uma delas aberta com duas figuras em pé e uma mais dentro deitada.


Grupo de homens rezando.

Sob uma árvore um homem, provavelmente santo, observa um santo subindo uma escadaria enquanto outros o esperam (ou descem).
Corredores

Azulejaria de padrão (tapete) de 4 por 4, folhagem em lira.
Emolduramento - volutas de folhas de acanto.
Sala do Capítulo
Nesta sala, antiga Biblioteca Municipal, existe um silhar de azulejos representando uma balaustrada que intercala, puttis segurando cornucópias com flores e albarradas.
Encontram-se, neste espaço, dois painéis com representações da vida de Santo António, retirados do convento do referido santo (hoje em ruínas), em cuja cerca se encontra o cemitério municipal e uma pedreira (Não possuo imagens).
Foram ainda reutilizados azulejos de figura avulsa, retirados do referido convento, no murete da Rua Brito Capelo (Rua dos Currais).
Cerca do Convento dos Congregados
Existem neste espaço vários painéis que devido à incúria do homem e do tempo se encontram completamente degradados.



1 - D. Frei Luís Teles da Silva – (27 de outubro de 1626 – 15 de janeiro de 1703) – Filho bastardo de um fidalgo da família Silva Teles, foi destinado a carreira eclesiástica, professou na Ordem da Santíssima Trindade. Em 1691 foi nomeado Arcebispo de Évora.
2 - D. Nuno Álvares Pereira de Melo (Duque do Cadaval) – Filho de Francisco de Melo e de Joana Pimentel, nasceu em Évora a 4 de novembro de 1638, vindo a falecer em 1726 (27?), foi educado no Palácio Real. Nomeado familiar do Santo Ofício (Inquisição) em1657. Esteve presente em vários atos de guerra (cerco de Badajoz, ataque ao Forte de São Miguel), participou na Guerra da Restauração. Foi Alcaide-mor de Olivença e de Alvor para além de outros cargos importantes na corte.
3 - D. Constantino de Bragança – (1528 – 14 de julho de 1575 – Era filho do IV Duque de Bragança, D. Jaime de Bragança, e de Joana de Mendonça, filha de Diogo de Mendonça e de Beatriz Soares de Albergaria, tetraneto do Rei D. João I. Governou (Vice-Rei) Goa durante tês anos. Aquando da estadia de Luís Vaz de Camões na Índia, agiu como seu protetor.
4 - Policarpo de Oliveira Bernardes – (1695 – 1778) Filho de António Oliveira Bernardes e seu discípulo, integrou-se tal como seu pai no ciclo dos mestres na produção de azulejaria Portuguesa. Iniciou-se com o revestimento da capela-mor da Igreja de São Lourenço na Vila de Azeitão.
Assinatura de Policarpo de Oliveira Bernardes

Espanca, Túlio, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Évora, vol. IX,
AZ infinitum – Sistema de Referência e Indexação de Azulejo
acasasenhorial.org
Queirós, José, Cerâmica Portuguesa e Outros Estudos
Simões, Santos, Azulejaria em Portugal no Século XVII
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_da_Silva_Teles
https://cidadesportuguesas.com/estremoz/#convento-dos-congregados
https://franciscabrancoveiga.com/tag/policarpo-de-oliveira-bernardes/
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Estremoz - Azulejaria da antiga Santa Casa da Misericórdia
Hospital da Misericórdia
Nos seus inícios instalada, na Igreja de São Miguel (Capela do Anjo da Guarda), a partir de inícios do séc. XVI, a Misericórdia de Estremoz foi transferida para um imóvel, onde já existia um hospital, então a cargo da Confraria de Nossa Senhora dos Mártires, no Largo da República em 1610, que é hoje ocupado pela Sociedade Recreativa Popular Estremocense (mais conhecida por Porta Nova) e Sociedade Filarmónica Artística Estremocense (SFAE).
O edifício tem passado por várias utilizações pelo que perdeu muitos dos seus elementos artísticos, originalmente, a igreja dispunha de um conjunto de painéis ao nível térreo, e outro no registo superior com grandes painéis representando as obras de misericórdia corporais, inspirados em cenas Bíblicas, (retirados, estão em casa de descendentes do Dr. Artur de Andrade Assis e Santos, uma das pessoas que participaram no seu levantamento foi o Senhor Armando Rutelério, já falecido. Esta informação foi-me dada pelo próprio, tendo ainda referido o processo utilizado) do que resta pode-se ainda hoje observar vários painéis de azulejos (Virtudes Cardeais e Teologias), todos eles apresentam tarjas com frases inscritas, que fazem a ligação entre o que se vê e o escrito, contribuindo os excertos de versículos e a identificação das figuras representadas, para uma mais eficaz leitura dos episódios e do seu significado, o local da antiga igreja tem passado por várias fases de utilização, quando realizei a seção fotográfica estava como sala de leitura e televisão (2000), hoje sala de bilhares, no piso superior, na sala de ensaios da filarmónica (SFAE), existem alguns painéis ilustrando as obras da Misericórdia. Existe uma outra sala forrada a azulejos de figura avulsa (antiga enfermaria?).
No exterior, na Rua das Almas, pegado ao alçado direito do convento, temos o Oratório de Nossa Senhora da Guia, com caraterísticas barrocas, construído no século XVIII, segunda metade. É visível no seu interior um painel azulejar das Alminhas do Purgatório com a insígnia latina P.N.A.M. (Pai Nosso Avé Maria).

Antigo edifício da Santa Casa da Misericórdia
Nave da antiga Igreja da Misericórdia de Estremoz
Revestimento cerâmico da antiga Igreja da Misericórdia
Sabe-se que o azulejador foi mestre Manuel Borges, pois existe documento, datado de 14 de fevereiro de 1710, do acórdão entre a Mesa da Santa Casa e o referido azulejador.
Manuel Borges, foi um dos mais importantes mestres ladrilhadores entre 1700 e 1725, foi identificado nos estudos de Virgílio Correia, tendo este demonstrado que Manuel Borges foi aprendiz na oficina do mestre ladrilhador Valentim da Costa e que manteve uma longa colaboração com a oficina do pintor António de Oliveira Bernardes.
O ladrilhardor (azulejador) assumia a direção da obra de aplicação dos azulejos, era ele que recebia a obra e assinava com o encomendador o contrato. Ficava depois a seu cargo encontrar o oleiro que forneceria os azulejos, e ainda o pintor. Desconhece-se se teria participação no programa iconográfico ou na parte decorativa.
Revestimento
O revestimento, atribuído a António Oliveira Bernardes, a azul sobre fundo branco está aplicado em todo o espaço que correspondia ao coro e paredes da antiga igreja (neste momento apenas existem os azulejos do piso térreo).
As diferentes áreas azulejares simulam estruturas arquitetónicas apresentando no centro cartelas com símbolos acompanhados por tarjas em latim.

Figura da esquerda – PRVDENCIAE (Prudência) - Atributos - Espelho, numa das mãos, erguido acima do nível do rosto, uma serpente enrolada no outro braço, que repousa sobre o colo.
Figura da direita – (TISIAE) Justiça - Em traje militar, com elmo, apresenta a espada.

Pormenor da cartela central
Tarja – CONIVNGIT VTRVMQUE (Uniu um e outro).
Pirâmide em escada – ligação da terra ao céu.

Tarja – HIC SECVRIVS STO - Aqui estou mais seguro (Pássaro no cimo da torre).
Figura da Esquerda - Fortaleza (Fortitvdo) - Com elmo e um querubim no peito segura uma coluna, símbolo da força (coluna que normalmente sustenta edifícios).
Com a abertura tardia de uma porta a figura da direita desapareceu.
Coro (Abóbada)
No coro, cuja abobada é totalmente revestida a azulejos, é visível uma cartela com a imagem de Nossa Senhora da Misericórdia, tendo de cada um dos lados, anjos segurando vários tipos de árvores que ladeiam cartelas onde são visíveis vasos com flores.




Nossa Senhora da Misericórdia
Obra atribuída a António de Oliveira Bernardes (1712)



Nossa Senhora da Misericórdia

Este painel segue a linha da bandeira da santa Casa de Lisboa, traçada em 15 de Setembro de 1576, onde se definia que:
“De comum acordo e unânime consentimento determinamos que no pintar das bandeiras, esteja de uma parte a imagem de Christo nosso Redemptor, e da outra, (sendo esta a que nos interessa para comparação) a SS. Virgem, Mãe da Misericórdia.
O painel da antiga Misericórdia de Estremoz mostra-nos uma representação típica da imagem mais emblemática das santas casas, a Mater Omnium “A Mãe dos Homens”.
A partir de 1500, a composição artística de Nossa Senhora das Misericórdias partindo da imagem da Virgem Maria, em pose imaculista, abre o seu manto, seguro nas pontas por puttis, de forma a abrigar sob ele os representantes das classes sociais mais marcantes, desde o clero secular aos representantes do poder temporal, escalonados hierarquicamente; só mais tarde será introduzida a representação da classe mais desprotegida: “o povo”.
É de referir que, nestas cenas de expressão ecuménica, só muito raramente as figuras que as integram são representações fidedignas de personalidades da época; pode-se, no entanto, reconhecer facilmente a representação do frade trino Frei Miguel Contreiras, figura marcada com as letras F. M. I., e, segundo alguns autores, D. João IV e sua esposa D. Luísa de Gusmão, isto se associarmos as figuras ao ato de deposição das coroas e ceptro, ato também executado pela primeira figura à direita da Senhora (Papa). Esta deposição dos símbolos do poder terreno representa a submissão ao espírito divino.

À sua mão direita um papa, um cardeal e um bispo, como cabeça da Egreja militante, e um religioso SS. Trindade, grave, velho e macilento, de joelhos e mãos levantadas, com estas letras F. M. I. que querem dizer Frei Miguel Instituidor” (Joaquim Oliveira Caetano – revista Oceanos – Misericórdias Cinco Séculos, pág. 76) advindo esta figura do requerimento feito por volta de 1574 por Frei Bernardo da Madre de Deus, Procurador-Geral dos Trinitários, no sentido de que fosse pintada na bandeira da irmandade a imagem de Frei Miguel Contreiras, “ para ser havido como seu instituidor”. Esta pretensão não é aceite pala maioria dos Historiadores, pois, sabe-se hoje que foi D. Leonor, viúva de D. João II a fundadora da Santa Casa de Lisboa e do movimento que a partir de aí se estendeu a todo o país, quanto a Frei Miguel pouco se sabe, e caso tenha estado em Portugal não passaria de um assessor da rainha, “ da parte esquerda da mesma Senhora um rei e uma rainha, em memória do ínclito rei D. Manuel e da Rainha D. Leonor, como primeiros irmãos de esta irmandade; mais dois velhos graves e devotos, companheiros do venerável instituidor, e aos pés da senhora algumas figuras de miseráveis que representam os pobres” (Joaquim Oliveira Caetano – Revista Oceanos – Misericórdias Cinco Séculos, pág. 76).
A partir daqui estava codificada a iconografia oficial da bandeira da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, que acabaria por influenciar todas as demais, passando esta influência, em 1627, por alvará régio de Filipe III (II de Portugal) a ordem.
O alvará ordenava que: ”as bandeiras de todas as Misericórdias de estes reinos se conformem com as de esta cidade de Lisboa, fazendo-se e pintando-se assim e da maneira que nela se usa, com a imagem do dito religioso e as letras F. M. I., como ditto é e que as que já estiverem feitas e pintadas se emendem”.


SVB TVM PRIZIDIVM CONFVGIMVS
Sob o abrigo da tua misericórdia nós nos refugiamos.

Arco de separação do coro da antiga nave
No arco que separa o coro da antiga nave foram igualmente aplicados azulejos policromados imitando embutidos em mármore. Apresenta ramagens vegetalistas finalizando em cabeça de pássaro, pontuadas por flores amarelas que preenchem o interior das pilastras laterais e prolongam-se pelo intradorso do arco. O capitel, pouco pronunciado, apresenta no ábaco uma decoração também vegetalista.

Nave
Lado do Evangelho
Na nave encontramos as virtudes teologais, a que
se juntou a Misericórdia, como
virtude símbolo da confraria.

Representação das figuras alegóricas – Fé (FIDES) e Esperança (SPES) - inseridas numa estrutura arquitetónica fingida ladeando um medalhão central. Cartela central com jardim e uma fonte central.
Tarja - CONGREGAT VT DISPERDAT - Reúne para dispersar.
FIDES (Fé) - Com os olhos vendadossegura uma cruz de grandes dimenções, na outra um cálice, tem um querubim no peito.
SPES (Esperança) - Atributo - Âncora
Lado da Epístola

Representação das figuras alegóricas – Caridade (à esquerda) e Misericórdia à direita) - inseridas numa estrutura arquitetónica fingida ladeando um medalhão central.
No medalhão central observa-se um jardim em forma de labirinto, com um cesto com flores, ao centro e uma legenda por cima.
Caridade - Atributos - Com uma criança ao colo abraça outra, em pé.
Misericórdia - Segura um ramo de cedro (símbolo da grandeza,da nobreza, não apodrece, preserva a alma da corrupção, por vezes Cristo é representado no centro de um cedro).

Pormenor da cartela central
APES EXPECTAT - A abelha está vigilante.
A representação de jardins, remete para uma natureza organizada, civilizada, pela mão do homem em oposição à natureza selvagem, local onde vivem aqueles que não cumprem os preceitos de Deus.
Meco, José, O Azulejo em Portugal
Oceanos, Misericórdias, Cinco Séculos
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Estremoz - Igreja de Nossa Senhora da Consolação ou dos Agostinhos
Igreja de Nossa Senhora da Consolação ou dos
Agostinhos

Em 1669 o príncipe D. Pedro dá autorização para a fundação do convento da Ordem dos Agostinhos Descalços em Estremoz, no entanto a implantação da ordem não foi fácil, estes chegaram a Estremoz em 1671 encontrando dificuldades para encontrar o local para instalarem a sua sede, acabando por se instalar nas dependências da Irmandade do Espírito Santo. Com a sua instalação neste espaço foram feitas algumas obras de melhoramento, mas só no século XVIII (reinado de D. JoãoV) é que o edifício é novamente intervencionado, ao nível arquitetónico, sendo no ano de 1719 que se dá a conclusão das obras na igreja. Esta apresenta uma fachada sóbria, seguindo a arquitetura barroca do início do século XVII. Na sua fachada, além da porta, são visíveis três janelas, acima destas um nicho e dois anjos venerando a cruz. o seu interior é de planta longitudinal com nave, possui dois altares laterais, retábulos de talha dourada, arco triunfal e capela-mor, sendo o seu revestimento azulejar de carater figurativo a azul sobre fundo branco, do século XVIII, representando a vida de Santo Agostinho.
Revestimento cerâmico dos altares
Atribuído ao pintor António de Oliveira Bernardes
Primeira metade do século XVIII (1700/1725). Ciclo dos Mestres
António de Oliveira Bernardes (que muitas vezes assinava como Antonius ab Oliva) transmitiu para as suas obras um verdadeiro portuguesismo, com uma ligeira inspiração em Gabriel del Barco, mas dando-lhe um toque de pintura de cavalete. Portugal ficou coberto por este novo tipo de revestimento parietal, sendo nos primeiros tempos muito requerido pelas ordens religiosas, rapidamente chegou ao gosto da burguesia e da própria nobreza, passando então a ser retratadas muitas das cenas do dia a dia, tanto da nobreza, com as suas caçadas e festas, como as atividades menos "nobres" desenvolvidas pelo povo.
Com a grande procura,a azulejaria teve que se adaptar, perdendo alguma qualidade, mas ganhando em elementos decorativos, transformando as barras vegetalistas que até aí circundavam os painéis em autenticas "bocas de cena" compostas por atlantes, grinaldas, volutas, panejamentos e elementos arquitetónicos.
Iconografia
Os pequenos painéis aplicados na parte inferior dos altares laterais apresentam-nos anjos segurando estruturas arquitetónicas, que por sua vez sustentam os altares.
Lado Direito


Lado Esquerdo


Arco Triunfal
Revestimento cerâmico
O revestimento em tons de azul sobre fundo branco, aplicado no arco triunfal está organizado em três níveis de leitura, no primeiro nível de cada um dos lados do arco, podemos apreciar paisagens envoltas por representações de trabalhos em ferro forjado em forma de voluta, sobre as quais se sentam dois puttis alados, de costas um para o outro. Na parte inferior, pode ver-se um mascarão. No segundo nível, de cada um dos lados do arco, observam-se puttis alados brincando entre festões de flores e frutos. no terceiro nível, zona superior do arco, pode ver-se um cortinado aberto para os lados e seguro, o que nos permite observar mais puttis alados entre festões, ao centro, observa-se uma pintura em tela (representação da Descida do Espírito Santo) que encobre o painel de fecho do arco, com um anjo sentado de cada lado.



Festões com flores, frutos e putis alados.

Emoldurados por folhas de acanto e medalhões nos cantos.

Capela-mor
O revestimento azulejar da capela-mor apresenta-nos cenas alusivas à Ordem de Santo Agostinho.
Cúpula

Iconografia de Santo Agostinho
Atributos: flechas trespassando o peito, livro, criança com concha, coração flamejante, coração(trespassado por flechas), pena.
O revestimento azulejar em tons de azul e branco, aplicado nas paredes laterais da capela-mor encontram-se organizado em quatro níveis de leitura. O primeiro é ocupado por elementos arquitetónicos com pilastras estriadas e outras com atlantes sentados, sustendo os capitéis. Ao centro, uma paisagem envolta por imitação de ferro forjado, sobre as quais se sentam dois puttis alados, de costas um para o outro. No nível seguinte são apresentadas três secções, onde se pode observar emblemas referentes a Santo Agostinho, no terceiro nível são apresentadas cenas da vida do santo e, no quarto nível, anjos ladear a Coroação da Virgem por Cristo e Deus Pai e a Santíssima Trindade.
Lado do Evangelho





Santo Agostinho lavando os pés de Cristo

S. Agostinho caminhando à beira-mar, meditando sobre a Santíssima
Trindade, encontrou uma criança que tinha cavado um buraco na areia e
tenta , sem conseguir enche-lo de água.
Pormenor

Triângulo equilátero representa a Trindade Divina.

Santíssima Trindade - Deus Pai e Cristo estão representados como pessoas, o Espírito Santo está representado pela pomba.
Lado da Epístola






S. Agostinho meditando sob a figueira, com livro (Bíblia?): ouve uma voz que lhe diz "tolle lege".


Coroação da Virgem por Cristo e Deus Pai.
Notas - Cercaduras no estilo do mestre P.M.P. .
Pintor (atribuído - [1993]) - Meco - O azulejo em Portugal, pag. 224, cercaduras e rodapés.
Arco Triunfal - António de Oliveira Bernardes (pintor atribuído - [1975] Espanca - Inventário Artístico de Portugal, pag 175.
Santo Agostinho:
Aurélio Agostinho nasceu em Tagaste a 13 de novembro de 354, em 386, depois de ouvir a história da vida de Santo Antão do deserto, converteu-se ao cristianismo, foi um dos mais importantes teólogos e filósofos nos primeiros séculos do cristianismo. Como contou mais tarde, a conversão foi provocada por ter ouvido uma voz infantil dizendo-lhe para “tornar a ler” (tolle, lege) ,o que entendeu como sendo uma ordem divina para abrir a Bíblia. Em 391, foi ordenado sacerdote, vindo a falecer em 28 de agosto 430 em Hipona. Sendo nessa altura Bispo de Hipona.
Nossa Senhora da Consolação:
As imagens que representam esta devoção, geralmente, mostram a Virgem Maria com uma cinta entre as mãos, ou entregando uma correia a Santa Mônica e Santo Agostinho. Em uma aparição a santa Mônica, Nossa Senhora apresentou-se com uma túnica de tecido rústico, de corte simples e cor escura.